Nascida em Sacramento (MG) em 14/03/1914, Carolina Maria de Jesus foi uma das escritoras mais importantes do Brasil. Mulher, negra, multiartista, catadora de papelão e semianalfabeta, Carolina foi morar na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo. A escritora, neta de escravos e filha de mãe analfabeta, chegou a passar fome e morar na rua. Com uma trajetória marcada por altos e baixos, Carolina tirou de sua realidade inspiração para escrever sua principal obra: Quarto de Despejo.
Quarto do Despejo: Diário de uma Favelada, chegou a fazer parte da lista de obras obrigatórias de grandes vestibulares pelo país, assim como do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
Publicado em 1960 e contendo uma seleção de escritos dos diários de Carolina entre 1955 e 1960, o livro, primeiro publicado, expõe o cotidiano difícil de uma mulher negra, catadora de lixo e mãe solo, de seus 3 filhos e dos demais habitantes de uma das primeiras grandes favelas de São Paulo, a favela do Canindé, próximo às margens do rio Tietê.
Na época, o Brasil utilizava o lema “50 anos em 5”, do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que trazia a promessa de desenvolvimento econômico rápido, porém não para todos.
O diário conta os costumes dos moradores, a realidade das relações humanas nas favelas, suas lutas diárias para sobreviver em meio a extrema miséria, a constante ameaça da violência, a falta de dignidade e os preconceitos, o que infelizmente ainda vemos no dia a dia das favelas do Brasil, e que acabam com toda a falsa promessa de progresso do governo da época.
De forma extremamente pessoal, O Quarto do Despejo nos mostra não só as dificuldades que Carolina precisa contornar, mas também seus pensamentos em torno de pautas sociais e políticas.
O título da obra de Carolina relaciona-se à ideia de Carolina que a favela é um grande depósito de pessoas que são consideradas pela sociedade indesejadas e descartáveis.
Através de sua obra, Carolina Maria de Jesus se consagrou como uma das vozes literárias mais importantes da história da literatura no Brasil, sendo referência para muitos que viriam depois, e que assim como Carolina segue expondo as necessidades, perrengues e superações do morador de favela.
“Quem inventou a fome são os que comem”.
Carolina Maria de Jesus
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Carolina de Jesus, a escritora além do quarto:
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